segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Esculturas

VII. PRODUÇÃO DAS OBRAS

Cada um dos quinze (15) estudantes selecionados pela comissão é responsável pela produção de sua obra e receberá a título de honorários o valor bruto de R$ 3.000 (três mil reais) pela criação da escultura ou obra tridimensional mediante assinatura de contrato e emissão de nota fiscal ou recibo, deduzidos os impostos devidos na forma da legislação vigente.

Para a produção das obras, o estudante selecionado terá a sua disposição, além do material a ser fornecido pela Tetra Pak, conforme item V. Seleção de projetos, uma verba de até R$ 13.000 (treze mil reais) brutos, além dos R$ 1.000 (hum mil reais) de ajuda de custo para o desenvolvimento do projeto executivo, a ser paga diretamente ao fornecedor ou em forma de reembolso ao estudante, mediante apresentação de comprovante de despesa. Não serão reembolsados valores que ultrapassem esse montante.

A produção das obras ocorrerá em São Paulo em local a ser disponibilizado pela Tetra Pak e a ser comunicado aos estudantes selecionados.

Aos estudantes que não residem em São Paulo, nas ocasiões em que sua vinda a esta cidade seja necessária ao desenvolvimento do projeto, serão oferecidos no máximo dois (2) bilhetes aéreos de vinda e retorno a suas cidades, hospedagem e um perdiem no valor de R$ 120 (cento e vinte reais).

As informações de cronograma de produção e implantação, bem como orientações sobre a forma de pagamento e reembolso de despesas de produção, serão acordadas na ocasião da formalização do contrato com os estudantes selecionados.

El cid

Mansão do banqueiro Edemar Cid Ferreira é a mais cara do Brasil
Ela fica na Zona Sul de São Paulo, no bairro nobre do Morumbi. Tem 4,1 mil metros quadrados. E o valor é de R$ 143 milhões.



O Fantástico mostra com exclusividade um templo de luxo e de fraude. A mansão do banqueiro condenado Edemar Cid Ferreira em São Paulo. Não existe nada igual no Brasil.

A casa mais cara do Brasil. Uma das mais caras do mundo. Ela fica na Zona Sul de São Paulo, no bairro nobre do Morumbi. Tem 4,1 mil metros quadrados. E o valor é de R$ 143 milhões. Quem pagou todo esse dinheiro para construir, segundo a Justiça, foi o ex- banqueiro Edemar Cid Ferreira.

Até a semana passada Edemar morou no local, quando na quinta-feira (27) foi despejado com toda a família.



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Obras de arte estão esquecidas nos cofres da Justiça
Na entrada da casa, uma enorme escultura do inglês Anthony Gromley, que pode valer entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

É a primeira vez que uma equipe de televisão entra nessa mansão e é realmente impressionante. São cinco pavimentos. A casa parece uma galeria de arte, um museu, de tão grande que é.

Para preservar as obras, um sistema moderno de climatização à base de água e diesel é mantido ligado o tempo todo.

Um dos espaços tem capacidade para receber 250 pessoas. No piso, madeira especial, importada da África. Persianas, cortinas e portas de correr só podem ser abertas e fechadas por um sistema eletrônico. Por onde anda, é assim: quadros, fotografias, esculturas, portais.

São ambientes enormes, labirintos, você sobe desce, não sabe onde sai. Três elevadores foram instalados. Dois chegam até a cobertura da casa, onde fica o heliponto.

O Banco Santos ficava em um prédio do outro lado do Jockey Club de São Paulo. Todo o dia o Edemar Cid Ferreira fazia o mesmo ritual, subia para o heliponto, pegava o helicóptero decolava, pousava no banco e no fim de tarde voltava para casa.
Edmar mudou para o local com a família, em junho de 2004. Em novembro do mesmo ano, o Banco Central decretou intervenção no Banco Santos.

Depois veio a falência, e então, o Banco Santos deixou um rombo de R$3 bilhões, sendo um bilhão de dinheiro publico. Foi quando a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal começaram a investigar o que estava por trás da ‘quebradeira’ do Banco Santos, e aí começaram a descobrir uma série de falcatruas financeiras, de dinheiro que era desviado, saia do Brasil, ia para contas secretas e depois voltava, e boa parte desse dinheiro era investido em milhares de obras de arte.

“Todo o dinheiro desviado do banco foi usado para manter um estilo de vida que o ex-controlador do banco moldou para ele próprio”, conta o Procurador da Justiça Silvio Martins.

Uma das coleções é enorme e está sendo avaliada, catalogada e muitas vezes até autenticada pelo arquiteto Alberto Sauro.

“Nós faremos um inventário de todo o acervo, autenticando as obras de arte, escultura, verificando a autenticidade, a quantidade em relação aos catálogos judiciais”, explica Alberto Sauro.

O Edemar, empresário, homem de negócios foi um bancário, que virou banqueiro. O Edemar com 18 anos de idade passou em um concurso do Banco do Brasil, e depois foi trabalhar muito tempo em Santos. O banco que ele controlava, o Banco Santos, leva o nome da cidade onde ele nasceu, que é a cidade de Santos, no litoral de são Paulo e foi até as exposições que ele organizou, a quantidade de obras que ele saiu comprando, os artistas que ele trouxe de fora do Brasil para cá, tudo isso começou a levantar muita desconfiança, sobre esse patrimônio todo. Qual é a origem desse patrimônio todo, do Edemar Cid Ferreira. Foi pelo mundo das artes, que a questão financeira do Banco Santos, começou a ir por água abaixo.

A coleção de Edemar também está cheia de artistas internacionais - sobretudo os contemporâneos. Em um grupo, uma das obras mais importantes é o trabalho do americano Robert Rauschenberg, um dos nomes ligados à arte pop dos anos 60, com trabalhos vendidos na casa dos milhões de dólares em leilões.

Só o acervo tem 200 metros quadrados com a estimativa de 200 obras escondidas. Telas, fotografias de uma coleção total de 1,5 mil a 1,8 mil.

Mas a coleção completa é muito maior do que isso. A Justiça chegou a fazer um levantamento na época em que houve a quebra do banco, apreendeu no banco uma serie de CDs, e tinham catalogados nesses CDs, 12 mil itens.

A questão é saber onde é que esta tudo isso. Ate hoje é um enorme mistério. A Justiça está procurando, por exemplo, 40 obras de arte de Matisse, nomes fortes de arte. Escultores famosos. Só 40 desaparecidos avaliados nos US$ 50 milhões.

A mansão ocupa quase um quarteirão inteiro. Edemar Cid Ferreira foi comprando o terreno da vizinhança aos poucos. Só restou um domo que não quis vender.

Nos tempos de gloria, em que Edemar Cid Ferreira nadava em dinheiro, a mansão chegou a ter 45 funcionários registrados em carteira para dar conta do tamanho da casa.

Agora a situação é completamente diferente, um pedaço da mansão está totalmente abandonado, é possível ver mato crescendo, o piso bem destruído, sem manutenção nenhuma.

Edemar tem uma divida de IPTU de um R$1,5 milhão. O IPTU da mansão hoje é de R$400 mil por ano.

Marilyn Monroe tinha um lugar de honra no quarto de dormir de Edemar Cid Ferreira, onde ele também tinha uma coleção que é bem valiosa, e bem rara.

Olhando no geral, para o quarto, parece que ele vai voltar a qualquer momento pro quarto. É a sensação que dá, tanto que no criado mudo, está cheio de remédio, água, relógio, tem bala, tem as coisas pessoais, livro, até o alarme dele ainda está por aqui. Ele foi despejado por falta de pagamento de aluguel.

É uma historia esquisita porque a casa foi construída em nome de uma empresa que o Edemar criou, só que essa casa e essa empresa ficaram registradas em nome da mulher do Edemar, a Márcia. Na verdade, Edemar e a Márcia, pagavam aluguel pra empresa em nome da mulher dele, ou seja, pagaram aluguel pra eles mesmos.

Ele ficou quatro anos sem pagar aluguel pra essa empresa. R$20 mil por mês. Essa dívida já está, hoje, em mais de R$3 milhões. Então não paga o aluguel, Lei do Inquilinato, vai embora. E aí ele foi embora com a roupa do corpo, tanto que a gente olhando no closet, dá para perceber que todos os ternos dele, as roupas da mulher estão todas no local, ele não levou nada, foi embora com a roupa do corpo.

E, pelo visto, a Marilyn vai dormir um bom tempo sozinha nesse quarto. É o que a Justiça quer.

Em um armário é possível ver cópias de processos que envolvem o ex-controlador do Banco Santos, está tudo separado catalogado, tudo devidamente organizado para que os advogados saibam exatamente onde está o quê.

A mansão tem três cozinhas. Uma delas é industrial. Nas festas, o banqueiro levava os amigos para fazer passeios pela mansão. São duas piscinas, uma delas com piso de mármore aquecido.

Uma escultura do renomado artista americano Frank Stella, estimada em R$ 700 mil enfeita o canto. Na parte externa da casa são 60 câmeras monitorando tudo.

Falando em valores, o que foi gasto pra construir a casa, R$ 143 milhões, daria pra comprar nada menos que 350 apartamentos de três quartos num bairro legal de São Paulo.

O projeto da casa do decorador americano levou R$ 9 milhões, e a casa é como se fosse um cofre, uma caixa forte porque todos os vidros são blindados. É claro tinha que ter uma paranóia com segurança, com tantos tesouros, com tantas obras de arte dentro.

O Fantástico convidou uma especialista para dar uma idéia desse patrimônio todo. É a leiloeira oficial Silvia de Souza.

“A gente não acha uma peça dessas toda hora. Aliás, muitas obras que encontramos aqui são muito difíceis de achar em leilão. Mas uma obra de Brecheret em especial, é uma peca única. Uma tiragem única. Hoje uma peca avaliada em R$ 3 milhões. Ele tem um Portinari fantástico da época socialista. Tem um Di Cavalcanti cubista, tem muita coisa”, explica Silvia de Souza - leiloeira oficial.

Mesmo quando você não vê quadros ou fotos, os detalhes são suntuosos, por exemplo, na sala de jantar, tem uma luminária do designer Ingo Maurer, um designer. Custa R$ 700 mil. E a mesa, a bagatela de R$500 mil reais. Ou seja a modesta sala de jantar, sai por um R$1,2 milhão.

A gente vê isso tudo aqui, tudo é suntuoso, grandioso, para onde vai tudo isso? Essa é a grande dúvida, o juiz quer levar a casa a leilão, e o lance mínimo seria R$ 80 milhões. A ideia é pegar todo esse dinheiro e pagar as pessoas que sofreram um calote do Banco Santos, pagar os credores do banco.

O juiz tem um sonho que é fazer com que algum interessado, um banco renomado, um empresário, compre a casa no leilão, mas não fique com a casa, transforme a casa em museu, e abra a casa para o público.

Alguém pode dar um palpite? Alguém se habilita?

Kassab

Prefeitura anistia imóvel irregular da família Kassab
30 de janeiro de 2011 | 23h32 | Tweet este Post
Categoria: Sem categoria

Fachada da firma, na Rua Leandro Dupré, 765, Saúde (Foto: Ayrton Vignola/AE)
FABIO LEITE
O imóvel que pertence à construtora da família do prefeito Gilberto Kassab (DEM) teve uma área irregular anistiada pela Prefeitura cerca de dois anos após o pedido de regularização haver sido rejeitado e o prazo para recurso, vencido. Pela lei, os responsáveis pelo prédio deveriam ter sido multados e o local, fechado. Mas documentos obtidos pelo Jornal da Tarde revelam que, em agosto de 2008, quando Kassab já havia sido empossado, o processo foi considerado extraviado, reconstituído e aprovado em nove dias. A assessoria do prefeito informou que a regularização “atendeu integralmente a legislação vigente”.
No local funciona a Yapê Engenharia, que tem como sócios Kassab (com 80% do capital da empresa) e três irmãos. O nome da companhia é resultado da união das iniciais dos pais do prefeito, Yacy e Pedro. Dos 309,82 m² de área construída, apenas 80 m² estavam regulares em outubro de 2003, durante a gestão Marta Suplicy (PT). Kassab, então, deu entrada no requerimento para regularizar 229,82 m², com base na Lei de Anistia, que beneficiava construções concluídas irregularmente até 13 de setembro de 2002.
À época, a empresa chamava-se R&K Engenharia, uma sociedade entre Kassab e o amigo e advogado Rodrigo Garcia. Naquele ano o atual prefeito era deputado federal e Garcia, estadual, ambos pelo PFL (hoje DEM). Garcia deixou a sociedade em 2007 – hoje ele é deputado federal. Os dois assinaram o pedido de regularização enviado à Subprefeitura da Vila Mariana, responsável por avaliar imóveis de até 1,5 mil m² na região.
Pedido negado
Em 8 de março de 2006, o pedido foi indeferido pela subprefeitura pelo “não atendimento ao comunique-se”, ou seja, abandono do processo. Kassab, então vice-prefeito, teve 60 dias, conforme a lei, para pedir reconsideração do despacho, mas não o fez. O indeferimento final foi publicado em junho e o processo, arquivado. A partir daí, pela Lei 13.885/04, a Prefeitura deveria emitir um auto de infração, lançar a área como irregular, aplicar multa e lacrar o imóvel, mas nada disso foi feito.
Em 30 de agosto de 2007, a Secretaria de Habitação (Sehab), comandada por Orlando Almeida, atual secretário de Controle Urbano, pasta que fiscaliza imóveis irregulares, pediu a íntegra do processo à subprefeitura. A papelada ficou engavetada na Sehab por quase um ano no Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov), embora a análise do caso fosse atribuição da subprefeitura – a Sehab cuida de imóveis com mais de 1,5 mil m² para uso comercial, como a empresa de Kassab.
‘Extravio’
Em 13 de agosto de 2008, durante as eleições municipais, a Comissão Permanente de Processos Extraviados (CPPE), subordinada à Secretaria de Gestão, declarou o processo da Yapê Engenharia extraviado. No dia seguinte, a seção técnica do órgão publicou memorando relatando que o processo foi “parcialmente reconstituído” e o encaminhou novamente à Sehab.
No dia 22 de agosto, o Aprov 2, que analisa edifícios comerciais acima de 1,5 mil m², informou que o processo foi “considerado em ordem para aprovação”. No mesmo dia, a diretora substituta do Aprov-G à época, Lúcia de Sousa Machado, publicou despacho expedindo o auto de regularização da empresa de Kassab.
‘Dentro da lei’
Em nota enviada por e-mail, a assessoria de imprensa de Kassab informou que o processo de regularização do imóvel que pertence a uma construtora da família dele “atendeu integralmente a legislação vigente.”
Segundo a nota, o pedido de anistia para o imóvel “foi protocolado pelo contribuinte em outubro de 2003, com base na Lei da Anistia” e “a aprovação seguiu rigorosamente a lei específica, estando todos os tributos incidentes sobre o imóvel, cuja titularidade é de empresa legalmente constituída e gerida por administradores eleitos nos termos do Código Civil, em dia.”
Procurado na sede da Yapê Engenharia, na Saúde (zona sul), o administrador da empresa, Carlos Alberto Fonseca, disse desconhecer o caso e que não falaria com a reportagem. Já a arquiteta Lúcia de Sousa Machado, que deferiu o pedido de regularização em agosto de 2008, recusou-se a falar sobre o assunto. “Servidor público não pode dar entrevistas”, disse por telefone.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Jr

Severino trabalha como catador desde os 12 anos, mas hoje é um líder na América Latina/Foto: Divulgação

O potiguar Severino Lima Júnior poderia lamentar a realidade difícil de uma vida dedicada ao trabalho árduo. Aos 12 anos de idade, ele já se misturava às centenas de catadores de materiais recicláveis do aterro sanitário de Natal, na capital do Rio Grande do Norte. A condição humilde da família fez com que ele tivesse de encarar o odor e os demais obstáculos de se trabalhar em meio ao lixo, em vez das brincadeiras comuns dos outros meninos de mesma faixa etária.

Mas apesar de tantas adversidades enfrentadas desde cedo, Severino não se prende a lamentações. Com o passar dos anos, o esforço e as circunstâncias fizeram dele uma das principais lideranças do setor em toda a América Latina. Atualmente, é líder-parceiro da Fundação Avina e também representa o Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis (MNCR) em eventos internacionais, além de ser um dos articuladores da Rede Latino-Americana e Caribenha de Catadores.

Nesta entrevista ao portal EcoDesenvolvimento.org, Severino conta fatos marcantes de sua trajetória e a importância do trabalho que desenvolve, ao reivindicar melhores condições de trabalho e contribuir, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

EcoD: Desde 1999, o senhor e outras lideranças do setor de materiais recicláveis articulam a criação de uma organização capaz de representar os interesses da categoria. Como se deu essa iniciativa?
Severino: A partir do conhecimento de que outros catadores do Brasil lutavam por direitos trabalhistas em seus municípios. Entre outros pontos, eles reivindicavam um melhor acesso às ruas para coletarem esses materiais.

EcoD: E como o MNCR está organizado?
Severino: O movimento tem representantes em todos os estados brasileiros. É uma grande organização. Eu, no caso, sou um dos representantes da região Nordeste.

EcoD: De que forma o MNCR contribui para com a preservação do meio ambiente?
Severino: Principalmente com a redução do uso de matérias-primas de origem virgem, como garrafas de vidro e materiais plásticos. Imagine como seriam os lixões e as ruas sem nós catadores! Acho que não teríamos mais espaços para colocar tanto lixo...

EcoD: Como o senhor encara o fato de ter começado a trabalhar no "lixão" a partir dos 12 anos?
Severino: Foi parte de uma necessidade. Mesmo assim, tenho muitas lembranças e histórias boas do Lixão de Natal. Alguns desses relatos são tristes, mas também tem muitas coisas alegres, que me deixaram feliz. O principal deles diz respeito às alianças de casamento de minha esposa e eu. Sabe do que elas foram feitas? Acredite: a partir do ouro de coroas dentárias encontradas por um companheiro de trabalho lá no lixão. Apesar do inusitado, elas ficaram muito bonitas. Minha esposa e eu ficamos muito emocionados com o presente.

EcoD: Existe diferença entre catadores de materiais recicláveis e garis?
Severino: Nós definimos como catadores de recicláveis aqueles que catam materiais de ferro-velho, sucata, papel e papelão, além de vasilhames. Também enquadramos aí os membros de cooperativas de sucata, que separam e fazem à triagem desse material. Já os garis são aqueles profissionais que coletam o lixo domiciliar, ou seja, os resíduos in natura (sem nenhuma seleção).

Ecod: Mais alguém na sua família exerceu ou ainda exerce essa profissão?
Severino: Dois irmãos meus também cataram muito no lixão durante a infância. Atualmente, um deles é pastor de uma igreja evangélica, enquanto o outro é policial militar.


Ao lado de senadores em Brasília (DF), para discutir a regulamentação dos marcos regulatórios e destinação de resíduos sólidos. /Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

EcoD: Como liderança dos catadores de materiais recicláveis, o senhor já percorreu boa parte dos países. Será que aquele menino do Lixão de Natal imaginou, algum dia, alçar voos tão altos?
Severino: Rapaz (pausa)... Não. Nunca imaginei que um dia viajaria tanto para lutar por essa causa. Outro dia, viajando pela Europa para conhecer experiências inovadoras das coletas de alguns países de lá, em companhia de outro amigo de lutas, chamado Roberto Laureno, comentei justamente isso. Nós refletimos sobre essa pergunta durante algum tempo, olhamos para o início de nossa luta e chegamos à conclusão de que não tínhamos essa dimensão. Não é tão fácil. Hoje somos referência na América Latina, em decorrência de nosso modelo de organização e articulação.

EcoD: Na sua opinião, quais foram os principais avanços da categoria desde que o MNCR foi criado, em 2001?
Severino: Sem dúvida, a regulamentação da profissão, que nos permitiu o acesso às políticas publicas. Também destaco os avanços da relação com o governo federal e a criação do decreto 5940 [de 25 de outubro de 2006], que institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis.

EcoD: Como o senhor vê a realidade dos catadores atualmente no Brasil? Falta conquistar algo mais?
Severino: Um dos problemas que encontramos é a burocracia, que em nossa concepção, existe para dificultar o acesso dos menos favorecidos ao acesso dos investimentos públicos. Nós temos conquistas importantes que precisam ser celebradas, mas também precisamos de melhorias para a capacitação do nosso trabalho. Eu e os meus companheiros defendemos a criação de novos postos de emprego para os catadores. Outro problema são os atravessadores, que prejudicam os catadores de cidades distantes das capitais.

EcoD: Prejudicam como?
Severino: A crise financeira mundial afetou a nossa categoria de maneira muito drástica. Só para você ter ideia, perdemos mais de 70% de nossa renda, perdemos também o mercado de vários materiais que ficaram inviáveis para a comercialização devido ao custo operacional. Existiam muitos atravessadores/sucateiros que tinham lucros exorbitantes (de até 200%). O que eu quero dizer é que essa recessão global nos ensinou muitas lições. A principal se refere à união que os catadores precisam ter. Unidos, nós somos capazes de vender direto para a indústria. Sem o devido conhecimento, a categoria cede ao assédio desses sucateiros, entende? Precisamos comercializar os materiais em rede, direto para as indústrias.

EcoD: Como o senhor avalia a organização dos catadores de materiais recicláveis nos países da América Latina?
Severino: De uns quatro anos para cá houve um grande avanço nesse sentido. Tivemos a criação da Comissão Nacional de Catadores do Chile, um congresso em nível continental na Colômbia, encontros na Bolívia, Uruguai e Equador. Na Argentina há um movimento muito bem fortalecido e politizado. O Peru também costuma sediar eventos nacionais e grandes congressos. Penso que podemos avançar mais nos países da América Central, que costumam registrar mais dificuldades e apresentar mais problemas organizacionais.

EcoD: O senhor esteve em Bonn, na Alemanha, em junho deste ano, para participar de um encontro mundial sobre as mudanças climáticas. O que pode ser destacado dessa experiência?
Severino: Foi bom porque pudemos discutir as ações de redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da mitigação, além de colocarmos a nossa categoria no centro da discussão de temas importantes, capazes de afetarem diretamente a vida das pessoas em todos os países. Hoje nós temos a perspectiva de que, nos próximos anos, poderemos aprovar uma metodologia que possibilite o nosso beneficiamento em relação ao bônus comercializado no mercado internacional de créditos de carbono.

palmas

O que é o Banco Palmas?
O BANCO PALMAS é uma prática de SOCIOECONOMIA SOLIDÁRIA da Associação de Moradores do Conjunto Palmeira, um bairro popular, com 32 mil moradores, situado na periferia de Fortaleza - CE.

Banco Palma

Contato
Entre em contato conosco pelos seguintes meios:

Telefone: +55 (85) 3250-8279 / 3269-1547
Email: bancopalmas@uol.com.br
Endereço: Av. Val Paraíso 698, Conjunto Palmeiras.
Fortaleza - Ceará - Brasil


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FUNÇÃO
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COORDENADOR GERAL
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COORDENADORA DAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E COORDENADORA DE PROJETOS

sandramaga@bancopalmas.org.br
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COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
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Responsável pela mobilização do FECOL
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carnaval

HUNDERTWASSER PUBLIC TOILETS – NOVA ZELÂNDIA

Talvez você nunca veja um banheiro tão colorido em sua vida. Ele foi construído em 1997 pelo arquiteto Hundertwasser Freidensreich – daí o nome das “instalações”. Parece um templo estranho, cheiro de colunas e vidros coloridos. O fato é que ali tudo foi reciclado (garrafas e restos de azulejos).
URILIFT POP-UP TOILETS – EUROPA

Ele é uma cabine com o mictório “fechado”, para evitar vizinhos que gostem de olhar para os lados – quando você entra ele vai para baixo da terra, como um elevador. Além de ter um sistema que torna quase impossível você “mirar” no lugar errado. Se você for descoordenado o bastante, o chão tem um sistema de drenagem revolucionário. O único problema é se você for claustrofóbico
CHARMIN RESTROOM, TIMES SQUARE, NOVA YORK

Esqueça os macabros banheiros dos metrôs de Nova York. Se você estiver apertado perto da Times Square já sabe onde ir. Além de ter um ambiente aconchegante, no segundo andar da instalação (sim, o Charmin não é um simples banheiro), as crianças podem jogar Wii ou então aprender a “dança do penico” (isso mesmo) com o personagem Charmin através de uma TV.
JC DECAUX PUBLIC TOILETS, PARIS

Paris, uma das cidades mais estilosas do mundo, não poderia estar fora dessa lista. O “sanissete” em questão tem acesso facilitado para pessoas com deficiência, um domo de vidro para iluminação natural durante o dia e, fora do banheiro, há uma fonte feita de madrepérola.
DAIMARU DEPARTMENT STORE, TÓQUIO

Como não podia deixar de ser, o primeiro lugar da lista vai para o competidor japonês. Todos os banheiros da loja de departamentos Daimaru são coordenados – ou seja, especialmente montados para lembrarem o ambiente exterior. Então a janela da foto não é real, você pode fazer seu xixi sossegado, mas é igual a paisagem que você veria se ela fosse de vidro. [Most Interesting Facts]