segunda-feira, 29 de novembro de 2010

BRASILEIROS

Os imigrantes brasileiros do mundo árabe

As comunidades de brasileiros expatriados na região são formadas, em geral, por profissionais qualificados. São pilotos, professores, comissários de bordo, jogadores de futebol e engenheiros.
Marina Sarruf marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo- São mais de 18 mil brasileiros morando no mundo árabe. Entre eles estão pilotos de avião, professores, comissários de bordo, técnicos e jogadores de futebol e engenheiros que optaram por tentar a vida fora, fazendo a trajetória inversa de milhares de imigrantes árabes no Brasil.

“É uma imigração mais profissionalizada, mais qualificada, não tem caráter permanente, é temporária, o que não deixa de ser uma imigração”, afirmou o professor e sociólogo Oswaldo Truzzi, que comparou o fenômeno atual à imigração árabe em massa ao Brasil no século 20. A maioria dos imigrantes árabes que vieram para a América do Sul era formada por sírios e libaneses, que, aos poucos, conquistaram seu espaço no comércio.

Atualmente, a maior parte desses brasileiros está no Líbano, que abriga cerca de 15 mil brasileiros descendentes de libaneses. No entanto, existem aqueles que não têm nenhuma ligação familiar com os árabes e adotaram um país do Oriente Médio ou Norte da África como uma nova pátria. É o caso da brasileira Raquel Barros, que mora com a família nos Emirados Árabes Unidos há seis anos e se tornou guia turística em Dubai.

A mudança na vida de Raquel ocorreu em 2004, quando o marido dela foi chamado para ser piloto da companhia aérea Emirates. “Quando nos mudamos não tinha muita informação sobre Dubai. Para mim, eu não ia gostar”, disse a brasileira, que se mudou com seus dois filhos pequenos para o emirado. Segundo ela, na época não havia muitos brasileiros no emirado. “O mais difícil foi chegar sem ter uma comunidade brasileira, não ter ninguém conhecido”, afirmou.
Raquel Barros/Arquivo Pessoal Raquel Barros/Arquivo Pessoal
Raquel (no topo à esq.) se reúne com as amigas brasileiras


Hoje, nos Emirados, residem cerca de dois mil brasileiros, segundo dados da embaixada do Brasil em Abu Dhabi. Há dois anos, o número variava entre mil e 1,5 mil. “Com a crise em Dubai é possível que essa tendência seja em parte afetada, mas no médio prazo, essa população deve aumentar pelo gradual adensamento de nossas relações com os Emirados Árabes, especialmente na área econômica e comercial”, disse o embaixador brasileiro no país, Raul Campos e Castro.

De acordo com ele, a maior parte desses imigrantes trabalha como piloto, técnico e comissário das duas maiores companhias aéreas do país, a Emirates e a Etihad. Além deles, há os representantes de empresas brasileiras que atuam no país, como construtoras, exportadoras, bancos, entre outras. O embaixador lembrou ainda dos jogadores de futebol e dos instrutores de jiu-jítsu, que ensinam na rede escolar de Abu Dhabi.

Raquel sente que o número de brasileiros em Dubai tem crescido. Apenas na Emirates, segundo ela, são 100 pilotos brasileiros e 600 comissários. “Vira e mexe tem brasileiro na rua”, conta.

Para matar as saudades de casa, os imigrantes se reúnem no final de semana para dançar e comer churrasco. É assim, que os brasileiros que se mudaram para Líbia, no Norte da África, se divertem. Nos últimos dois anos, a companhia brasileira Odebrecht tem contribuído com a imigração qualificada para sua subsidiária em Trípoli, capital do país.

Luciana Cotta Lobo Leite, de 32 anos, mora em Trípoli há dois anos e trabalha no departamento de Recursos Humanos da companhia brasileira. “Não é fácil no início, pois são costumes e tradições muito diferentes das nossas”, disse. Para conviver em harmonia com os locais e no mundo coorporativo, Luciana conta que é importante saber dos costumes árabes e algumas palavras.

A casa dos amigos brasileiros e as praias particulares para estrangeiros são o ponto de encontro nos finais de semana. Segundo Luciana, a Odebrecht tem 200 funcionários brasileiros na Líbia, mas a falta do calor humano, da comida mineira e da liberdade de sair na rua despreocupada trazem muitas saudades do Brasil.

Crescendo e aprendendo

Marcelo Camacho, 30 anos, é jogador de futebol. Ele mora há seis anos em Riad, capital da Arábia Saudita, onde joga no time Al Shabab. “Foi muito difícil no começo, principalmente com a língua e a religião”, afirmou Camacho, que hoje já entende e fala um pouco do idioma árabe.

A Arábia Saudita é o país mais conservador do mundo árabe. As mulheres precisam andar cobertas e não podem dirigir, por exemplo. As leis islâmicas são seguidas de maneira bem rígida e o governo tem controle até sobre a internet. Mesmo assim, Camacho gosta de morar em Riad. “Cresci muito aqui, tanto como profissional quanto pessoa. Comecei a dar importância para pequenas coisas”, disse.

Marcelo Camacho/Arquivo pessoal Marcelo Camacho/Arquivo pessoal
Marcelo está em Riad há seis anos
De acordo com ele, em Riad seus conhecidos brasileiros somam umas 30 pessoas. Além de jogadores também há muitos profissionais da área de informática e petróleo. Os encontros entre brasileiros são freqüentes e as festas têm direito até a feijão preto, trazido pelos próprios brasileiros.

Os jogadores de futebol estão presentes também no Kuwait, bem como executivos e representantes de grandes empresas. Segundo dados da embaixada do Brasil no país, a comunidade brasileira varia entre 150 e 250 pessoas.

A maioria dos imigrantes brasileiros visita o Brasil pelo menos uma vez por ano. A saudade da família, o verde da natureza e o calor humano não são esquecidos na vida em outro país. “Eu pretendo voltar para o Brasil porque sinto que a minha casa é lá”, disse Raquel Barros, que ainda deve ficar em Dubai por mais seis anos.

BUSSINESS

Promovendo negócios entre brasileiros e árabes

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, liderou missão comercial à Argélia e Omã. Em entrevista à ANBA, ele destacou as oportunidades de negócios para empresas brasileiras.
Geovana Pagel geovana.pagel@anba.com.br
São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse, em entrevista à ANBA, que são muitas as oportunidades de negócios para as empresas brasileiras na Argélia e em Omã, países que ele visitou na semana passada à frente de uma delegação empresarial.

Geovana Pagel/ANBA Geovana Pagel/ANBA
Miguel Jorge e o ministro argelino Mohamed Benmeradi
O governo argelino, por exemplo, apresentou um plano de investimentos de US$ 286 bilhões para os próximos cinco anos. “Tem muita coisa, tem muita obra sendo feita. Não só obras, há possibilidades de cooperação em muitas áreas para as pequenas e médias empresas. Eles (os argelinos) vão fazer qualificação profissional, vão construir escolas, universidades. Isso tudo, fora a área de infraestrutura, como estradas, barragens, portos”, afirmou o ministro.

Jorge foi recebido por diversos ministros argelinos e omanis e pelo presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika. “Ele [Bouteflika] demonstrou mesmo um enorme interesse e um enorme carinho pelo Brasil”, declarou Jorge. O ministro destacou ainda que “há um grande interesse do governo de Omã nas empresas brasileiras”. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

ANBA - O senhor foi recebido por diversos ministros árabes, inclusive pelo presidente Bouteflika. Quais foram os principais assuntos discutidos?

Miguel Jorge - Nessa missão, nós tínhamos que resolver uma questão específica de responsabilidade do ministro da Agricultura [da Argélia], mas nem foi preciso tratar com o ministro, pois o assunto, a questão do impasse nas exportações do frango processado, foi resolvido diretamente com o pessoal da área técnica. Mesmo assim, houve uma reunião longa com o ministro da agricultura. Nós o convidamos para ir ao Brasil, para ele conhecer as experiências, principalmente ligadas ao Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento). Na Argélia, o que aconteceu foi um fato que não é comum, mas da maior relevância, que foi o presidente [Abdelaziz Bouteflika] ter ficado três horas com a gente. Isso é uma coisa realmente surpreendente.
Geovana Pagel/ANBA Geovana Pagel/ANBA
Jorge com o ministro da agricultura Rachid Benaïssa


Como foi o encontro com o presidente?

Ele se mostrou uma pessoa altamente informada sobre vários assuntos, inclusive sobre o Brasil, sobre a Amazônia. Ele demonstrou interesse especial em falar sobre a Amazônia. Falou sobre livros do Lévi-Strauss [antropólogo e filósofo francês], que ele leu contando detalhes sobre ciência e antropologia. Ele perguntou muito sobre os nossos vizinhos, principalmente o [presidente da Venezuela Hugo] Chávez e [presidente da Bolívia Evo] Morales.

Ele falou sobre a relação deles com o [presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva]. Depois ele falou muito sobre Cuba, sobre a situação econômica, sobre o fato das 500 mil pessoas saírem do serviço público. Ele ficou muito interessado na questão do porto que o Brasil está construindo em Cuba. Depois ele pediu que os [seus] ministros solicitassem informações mais detalhadas do projeto do porto. Foi uma conversa muito interessante. Ele lembra muito bem de fatos passados, quando muitos brasileiros se refugiaram na embaixada da Argélia, e muitos brasileiros viveram na Argélia durante anos como refugiados políticos.

O presidente chegou a falar sobre áreas de interesse para cooperação e investimentos entre os dois países?

O presidente falou muito de agricultura. Também falamos sobre a exploração de petróleo em águas ultra profundas. Explicamos a ele como foi essa coisa da descoberta [do pré-sal], da profundidade. E ele ficou muito impressionado que a Petrobras consegue tirar petróleo a mais de 100 quilômetros de profundidade. Depois falamos sobre a questão do etanol, da Amazônia. A discussão sobre a Amazônia foi exatamente em função disso, de que a nossa produção agrícola está muito longe da Amazônia, quer dizer, não passa por lá.

Como nós temos hoje grande produção de grãos e produção de etanol, ele ficou muito impressionado. Destacamos que hoje nós consumimos mais etanol no Brasil do que gasolina. O que ele demonstrou mesmo foi um enorme interesse e um enorme carinho pelo país. Ficou muito feliz, perguntou sobre futebol, pediu para que nós mandássemos um técnico de futebol para a Argélia, porque eles demitiram o técnico de futebol. Aí eu falei: “Mas presidente, nós também demitimos o nosso”.

O governo da Argélia anunciou um plano de investimentos de US$ 286 bilhões. Como as empresas brasileiras poderão ser beneficiadas?

Tem muita coisa, tem muita obra sendo feita. Não só obras, há possibilidades de cooperação em muitas áreas para a pequena e média empresa. Eles vão fazer qualificação profissional, vão construir escolas, universidades, vão construir escolas técnicas também. Isso tudo, fora a área de infraestrutura, como estradas, barragens, portos. Tem muita possibilidade de participação para as nossas empresas, que já têm uma participação no Norte da África importante.

E no caso de Omã? Quais os principais setores de interesse?

Há um grande interesse do governo de Omã nas empresas brasileiras. Houve um pedido específico para que a missão que estava indo para a Argélia fosse à Omã, que é um país pequeno, mas que tem uma atuação muito forte em algumas áreas. Eles também têm um plano de investimentos em infraestrutura. A nossa Vale tem um investimento enorme lá, de cerca de US$ 1,3 bilhão no porto de Sohar. Eles compraram a participação numa empresa omani de pelotas [de minério de ferro] e estão estudando alguns investimentos com a companhia petrolífera de Omã, com possibilidade de investimentos conjunto em países africanos, como Moçambique e Angola.
Geovana Pagel/ANBA Geovana Pagel/ANBA
Encontro com o ministro do Comércio e da Indústria de Omã


Tem também uma empresa de engenharia que participou da missão, a Fidens, que tem duas concorrências importantes no país. São dois projetos grandes, um de US$ 400 milhões e o outro de US$ 1,5 bilhão. E a Embraer está participando de uma licitação para a venda de aviões de patrulha marítima. São aqueles aviões que têm uma barriga enorme, onde vão todos os equipamentos para encontrar navios no mar, para procura e salvamento de barcos. Essa é uma licitação que deve sair nos próximos dois ou três meses.

Em novembro haverá mais uma missão para os países árabes?

Nós vamos para Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar e Síria. Essa será a última missão grande do ano de 2010. Teremos mais umas quatro ou cinco missões menores com secretários e vice-ministros. Fora as que os outros ministérios farão. O ministro [da Defesa Nelson] Jobim, por exemplo, está na China agora.

Qual a importância dos países do Oriente e Médio e Norte da África para o Brasil em termos de oportunidades de parcerias e investimentos?

As empresas brasileiras já têm como foco três áreas importantes. Uma é a América Latina, que é a mais óbvia, a mais próxima e a mais fácil de operar. Até porque a maioria das empresas já tem algo na América Latina. No caso da África, apenas nos últimos quatro ou cinco anos, só com essa atuação do presidente Lula, é que as empresas acordaram para a África. Só havia umas duas ou três empresas operando na África, agora você tem várias. Os países árabes são difíceis por causa da distância, mas são também um foco interessante para essas empresas.

O senhor afirma isso em função das oportunidades que esse mercado oferece?

Pelas oportunidades e porque nós consideramos, com muita evidência, o fato de que as empresas brasileiras deveriam se internacionalizar. Então nós estamos hoje [no mercado externo] como nunca estivemos antes, se considerarmos os últimos oito anos. Há empresas na área de construção civil que historicamente começaram esse processo. A Odebrecht está há trinta anos em Angola.

Nós temos empresas de alimentos que deixaram de ser importadoras e passaram e ser exportadoras. Tinham lá uns entrepostos de distribuição e começaram a atuar nos países, começaram a comprar empresas locais.

Uma das empresas que está aí [na missão], a [construtora] Queiroz Galvão, há três anos eles não tinham nada na região. Nesse período, mais de 10% do faturamento deles já é com a África. É um avanço incrível.

E qual tem sido o caminho para garantir a abertura de portas para as empresas brasileiras no exterior?

Muitas dessas empresas estão fazendo parcerias. É aquela história: os inimigos são os outros. Isso ajuda a divulgar a “marca Brasil”. Um fator fundamental, que eu acho que teve um a mudança visível nos últimos anos, é o engajamento do Ministério das Relações Exteriores, via não só o ministério, como os embaixadores brasileiros.

Basta ver como foram esses últimos encontros. Ele (embaixador) que organiza os encontros, ele que pressiona, ele participa de tudo com a gente, abre caminho para as empresas. As empresas aprenderam que elas podem procurar o embaixador, que ele é uma ferramenta para elas no país. Ele está disposto a trabalhar porque, para ele, isso também é importante. Há alguns anos não havia demanda de empresas nas embaixadas. Quando as empresas foram, eles estavam lá para ajudar e têm respondido de maneira espetacular.

Luxo

Luxo para morar e investir

Eles custam mais de R$ 5 milhões, ficam perto de parques, são discretos na arquitetura e pagos sem financiamento. Assim são os imóveis de luxo do Brasil, que atraem investidores daqui e do exterior.
Isaura Daniel isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – Os edifícios não têm formato de barco a vela, não estão entre os mais altos do mundo e nem ficam em ilhas artificiais como nos Emirados Árabes Unidos. Mas o Brasil tem sim luxo em imóveis. Um tanto quanto discreto, com empreendimentos mais clássicos do que extravagantes, que quase sempre ficam próximos de áreas verdes, esse mercado não tem problemas de caixa no Brasil. Casa e apartamento de altíssimo padrão, diferente de imóveis para classe média e baixa, se paga à vista no país. Obra de prédio de luxo também.

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Apartamentos do Marquise Ibirapuera custam R$ 5 milhões
A justificativa é a existência de um público sedento por novos empreendimentos, com oferta não muito abundante e com bastante dinheiro em conta. “No caso do altíssimo padrão, no qual a gente tem velocidade de vendas alta, o projeto paga o investimento, paga a própria obra. A conta do empreendimento fica até superavitária”, afirma Fabio Romano, diretor de Incorporação da Yuny, incorporadora de São Paulo que atua com imóveis de luxo.

Ou seja, a construção é feita com o dinheiro dos compradores dos imóveis e também recursos próprios da incorporadora, sem financiamento. O pagamento parcelado por parte do cliente ocorre apenas até a entrega das chaves. Normalmente nessa hora é quitado o restante do valor do imóvel. “Como a maioria dos nossos empreendimentos são lançados como construção a preço de custo, os parceiros (clientes) não utilizam financiamentos bancários”, confirma a Construtora Kauffmann, que também opera no altíssimo padrão.

E o que é esse tal de imóvel de luxo ou de altíssimo padrão no Brasil? O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), João Crestana, afirma que imóveis com preço acima de R$ 1 milhão já podem ser considerados de padrão “especial”. Mas o metro quadrado do luxo mesmo, diz quem atua na área, custa acima de R$ 10 mil. Como os apartamentos residenciais deste segmento normalmente têm mais de 300 metros quadrados, custam pelo menos R$ 3 milhões. A maioria, porém, é maior em metragem e está na faixa dos R$ 5 milhões.

A Kauffmann tem quatro prédios residenciais concluídos recentemente, que chama de Mansões Kauffmann, no bairro Chácara Itaim, ao lado do Parque do Povo, área verde e de lazer na zona sul de São Paulo. Os apartamentos dos edifícios Palazzo Di Ferrara, Palazzo di Savoia, Palazzo Piemonte e Palazzo Nobile têm preços entre R$ 10 mil a R$ 12 mil o metro quadrado. Um quinto projeto, chamado Celebrity, está em lançamento na mesma região. Todos têm quatro suítes.

A Yuny tem entre os seus lançamentos de luxo um prédio residencial chamado Marquise Ibirapuera, perto do Parque Ibirapuera. O preço médio dos apartamentos, de 400 metros quadrados, é R$ 5 milhões. A cobertura, de 900 metros quadrados, custa R$ 12 milhões, e o quarto andar, de 800 metros quadrados, R$ 8 milhões. O grande atrativo do projeto, afirma Romano, é a localização. “Em todos os lugares do mundo, tudo o que está em volta de parques, de grandes parques, como o Ibirapuera, tem uma valorização gigante”, afirma.

A arquitetura remete ao clássico inglês, já que o prédio usa tijolo à vista, mas é moderna, com muito vidro e alumínio. Na parte interna dos apartamentos, apesar da extensa área social, a idéia foi também trazer um pouco de volta o estilo dos anos 60, com quartos, banheiros e cozinhas grandes. Outro prédio da Yuny, o Seridó, no Jardim Europa, tem como diferencial a vista para o Jockey Club e o Clube Pinheiros, um dos mais tradicionais da capital paulista. São apartamentos de cerca de R$ 6 milhões a R$ 6,5 milhões, com 400 a 500 metros quadrados.

Os milionários

A grande massa de compradores de luxo no país é brasileira e o número de pessoas que pode adquirir uma casa ou apartamento desta faixa no país é crescente, dizem os especialistas da área. “A geração de riquezas formada da abertura de capital das empresas está deixando muita gente rica. Também há muitos fundos vindos de fora e comprando empresas locais, gerando milionários líquidos entre os brasileiros”, explica o presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico (ADIT-Brasil), Felipe Cavalcante. Ele ressalta que o luxo em imóveis no país, porém, está concentrado no Rio de Janeiro e São Paulo.

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Cavalcante: há mais milionários no Brasil
“Se há um lugar no mundo onde o mercado de imóveis de luxo está crescendo é aqui. O brasileiro como consumidor está cada vez mais testando e usando coisas diferentes. Se era para poucos ter uma casa de R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão, agora há mais gente com essa possibilidade. Isso se observa nos últimos três a quatro anos”, afirma Alejandro Moreno, diretor da RCI Brasil, prestadora de serviços que trabalha com projetos de residência compartilhada, compra de imóveis de lazer por mais de uma pessoa, para uso dividido.

Crestana, do Secovi, lembra que apesar do mercado de luxo ser pequeno no país, em função da pirâmide social brasileira, ele tem negócios muito expressivos. “No Brasil são 200 milhões de habitantes. Acredito que 5% está neste mercado”, diz ele. O volume da população brasileira com faixa de renda mais alta do país, no entanto, vem aumentando. Há quatro anos eram 13,16% os brasileiros que estavam nas classes A e B. No final do ano passado o percentual foi para 15,63%. Os dados são de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que considera das classes A e B quem tem renda familiar superior a R$ 4.807.

Alto retorno

Mas se há mais brasileiros com dinheiro para adquirir apartamentos de luxo, há também estrangeiros cada vez mais interessados na compra dos imóveis para investimento. “Setenta por cento dos compradores dos nossos empreendimentos são usuários finais. Trinta por cento são investidores. E investidores são pessoas que vêm de todo lado, de fora do país, grandes empresários que na pessoa física estão investindo em imóveis”, explica Romano, da Yuny.

Os estrangeiros normalmente buscam geração de renda por meio do aluguel ou ganhos sobre a venda. E para isso, os empreendimentos de luxo se mostram promissores. A Kauffmann afirma que espera que seus edifícios prontos se valorizem 25% em dois anos. Mas ressalta que os imóveis entregues em 2008 tiveram valorização ainda maior, de 40%. A conta da valorização, na Yuny, também é alta. “Estamos lançando a R$ 12 mil o metro quadrado (Marquise Ibirapuera). Pela falta de terreno na região, tipo de produto, valorização do entorno, acreditamos que pronto deve chegar a R$ 20 mil o metro quadrado”, afirma Romano.

Há ainda a presença de estrangeiros como investidores nos projetos ou lançadores deles. De acordo com especialistas, porém, essa presença diminuiu nos últimos dois anos em função da crise internacional. “Eles já estiveram aqui e vão voltar”, diz Moreno, da RCI. “Diminuiu muito em 2009 por causa da crise. Mas está retomando. O mundo todo investe em imóveis”, afirma Cavalcante, da Adit. O dinheiro estrangeiro para os projetos, explica o presidente da Adit, normalmente vem por meio de fundos de investimentos.

A Yuny mesmo tem em alguns dos seus empreendimentos, como o Marquise Ibirapuera, participação do fundo norte-americano Golden Tree, de private equity. A parceria com o Golden Tree foi firmada em 2007. A Kauffmann tem lançado sozinha os seus projetos de alto padrão, mas segundo informações da companhia, não descarta parceria com empresas e fundos de investimentos. Dos árabes, por enquanto, não há muitas notícias no lançamento de imóveis de luxo no Brasil. Romano afirma que a Yuny foi procurada por empresários da região, que queriam atuar como incorporadores, mas os projetos deles estavam além dos planos da companhia brasileira.

No Alto

Um brasileiro no topo do mundo

Reinaldo Mesquita trabalha para a incorporadora Emaar. Ele é responsável pelo material multimídia espalhado pelo Dubai Mall e Burj Khalifa, o maior shopping e o edifício mais alto do mundo.
Alexandre Rocha, enviado especial alexandre.rocha@anba.com.br
Divulgação Divulgação
Kidzania: ser adulto é brincadeira de criança
Dubai – Muita gente sabe que hoje Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, tem uma das maiores concentrações de shopping centers e arranha-céus do mundo, mas poucos sabem que todo o material multimídia que o visitante vê no Dubai Mall e no Burj Khalifa, respectivamente o maior shopping e o prédio mais alto do mundo, é responsabilidade de um brasileiro.

Reinaldo Mesquita é recifense, mas morou muito tempo no Rio de Janeiro e há cerca de 20 anos se mudou para os Estados Unidos. Hoje ele é gerente de produção e multimídia da área de shoppings da Emaar, incorporadora responsável pela construção e administração do Dubai Mall e Burj Khalifa, e vive em Dubai.

Arquivo pessoal Arquivo pessoal
Mesquita, carreira em TV e vídeo
Na última semana, Mesquita levou parte da delegação brasileira, que estava em Dubai para participar da feira Big 5 Show, do ramo de construção, para fazer um tour por algumas das atrações do complexo que reúne o shopping e o prédio.

O grupo de representantes do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Santa Catarina e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, incluindo a reportagem da ANBA, foi ao Dubai Mall conhecer a Kidzania, um dos parques temáticos instalados dentro do empreendimento. O local reproduz uma pequena cidade onde as crianças podem brincar de ser adultos.
Alexandre Rocha/ANBA Alexandre Rocha/ANBA
Tubarão no Dubai Aquarium


A brincadeira serve para ensinar noções de profissões como jornalista, dentista, bombeiro, policial, pedreiro, cabeleireiro, piloto de avião, entre várias outras, além de informar sobre a importância da educação e do uso racional do dinheiro.

Durante a visita, o administrador do parque, ou “governador”, o norte-americano Will Edwards, apresentou o grupo a Mesquita, que sempre trabalhou com TV e vídeo e até ajudou a montar o estúdio de televisão para as crianças da Kidzania. A atração deriva de uma franquia criada por empresários mexicanos.
Alexandre Rocha/ANBA Alexandre Rocha/ANBA
Tratador alimenta pinguins no zoo


A equipe de Mesquita é responsável desde a produção dos vídeos, até a instalação e manutenção dos monitores e displays espalhados pelo complexo. Isso inclui os clipes exibidos no elevador que leva ao mirante do Burj Khalifa, no 124º andar, e o enorme painel multimídia que se estende pela lateral da longa esteira rolante que leva os visitantes da recepção aos elevadores.
Alexandre Rocha/ANBA Alexandre Rocha/ANBA
Sheikh Zayed Road vista do alto


Mesquita, casado e pai de dois filhos, acabou se oferecendo como guia e levou os conterrâneos para conhecer o aquário marinho, o zoológico de animais aquáticos instalados dentro do shopping e o próprio Burj Khalifa. “A maior parte dos peixes de água doce é do Brasil”, disse ele sobre os bichos em exibição no zoológico. De fato, lá estão piranhas, bagres e pacus, peixes comuns em rios brasileiros, especialmente na Amazônia.

No Burj Khalifa, o elevador dispara rumo ao “At the Top”, como é chamado o observatório do prédio, a 10 metros por segundo. Lá é possível ter uma visão de 360 graus da cidade a uma altura impressionante. O edifício tem 160 andares e 800 metros no total.

sábado, 27 de novembro de 2010

Tempo

As Perolas

Anel de safira

futura princesa
A estilista brasileira Daniella Issa foi quem assinou o vestido usado pela noiva do príncipe William. A peça, que custa mais de R$ 1 mil, virou sensação ao redor do mundo.

Esta semana, o mundo acompanhou o anúncio oficial do noivado entre um príncipe e uma plebeia. Ele é o Príncipe William, filho de Lady Di e do príncipe Charles; ela, Kate Middleton, filha de empresários ingleses.

E só se falou em uma coisa: o vestido elegante que a futura princesa usou e que tem a marca da estilista brasileira Daniella Issa. Daniella conversou com o Fantástico com exclusividade.

É um conto de fadas moderno: um príncipe, uma plebeia, um pedido de casamento, feito em um hotel rústico e exótico em um país da África.

O príncipe William diz que a hora ideal para assumir o compromisso é essa. Kate afirma que foi bem recebida pela família real. Não é sempre que o mundo acompanha uma história de amor como essa.

William é segundo na linha de sucessão da coroa britânica. Ele e Kate se conheceram ainda adolescentes, na universidade. Foram oito anos de namoro, entre idas e vindas. E o anúncio do noivado esta semana mostrou que Kate conquistou de vez os britânicos.

As comparações são inevitáveis. Kate usava a mesma cor de vestido que a mãe de William, a princesa Diana, vestiu no noivado com o príncipe Charles. O presente que William deu para Kate foi o mesmo que Charles deu para Diana: um anel de safira.

Mas a maior semelhança entre Kate e Diana é que a futura princesa também já surge ditando moda. E moda brasileira. O vestido é assinado pela estilista de Niterói Daniella Issa e virou sensação no mundo inteiro.

O vestido azul usado pela futura princesa no seu noivado provocou uma verdadeira corrida às lojas de Londres que trabalham com a grife da estilista brasileira. Em menos de 24 horas, já não era possível encontrar o mesmo modelo. O curioso é que no Brasil não foi diferente. Em uma loja no Rio de Janeiro, que tem exclusividade da marca, depois do noivado de Kate e William, sobraram poucos modelos da estilista nos cabides.

No seu ateliê, em Londres, Daniella Issa contou que está surpresa com a repercussão. “Não tinha a menor ideia. Não sabia que ela ia ser noiva, nem nada. Imagina, fiquei sabendo da mesma maneira que todos os outros. A gente vendeu para um cliente. No dia seguinte, fizeram pedido para 300 vestidos iguais”, conta a estilista.

Entram aqui procurando o quê? “Tiveram várias pessoas efetivamente querendo comprar o vestido da princesa. Outras curiosas, querendo comprar, mas querendo conhecer a grife, quer dizer, não exatamente o vestido da princesa. E outras só curiosas, querendo saber qual é o vestido da princesa. O problema é que o vestido da princesa acabou”, explica a empresária Racchel Chreem.

“Olhando as duas fotos, você vê a diferença direitinho. Uma era uma loura ingênua, com um taillerzinho fechado e uma roupinha mais campestre, uma coisa mais sem pretensão. A nossa nova princesa é uma menina mais moderna, com uma roupa mais justa”, compara a consultora de moda Glorinha Kalil.

O vestido custou pouco mais de R$ 1 mil. É um clássico da estilista, conhecido como Wrap.

“Na verdade, é um envelope, quer dizer, ele pode ser de várias maneiras. Ou ele vem aberto e você se amarra ou ele faz o transpasse”, define a empresária. Ou seja, tira a cintura, tira barriga e ainda tem o decote. “É quase uma plástica”, completa.

“Eu não sei se é sensualidade. A silhueta tem sempre uma cintura marcada. É uma roupa feita para valorizar a figura da mulher, para esconder os defeitos e valorizar as qualidades. É isso que eu procuro. É a minha assinatura”, esclarece a estilista Daniella Issa.

Uma assinatura que as celebridades adoram. “A Madonna foi primeira e foi incrível. Scarlet Johansson, Sharon Stone, Kate Moss”, relaciona Daniella Issa.

Não foi só o vestido que Kate usou que virou objeto de desejo entre as mulheres. Um anel igualzinho ao que a futura princesa ganhou do príncipe William também provocou a mesma reação. As mulheres começaram a procurar o anel na joalheria.

O gemólogo Daniel Sauer conta que as clientes entram perguntando: “Vocês têm aquele anel da Kate?”.

Ele lembra que quando o príncipe Charles deu o anel para a princesa Diane provocou a mesma reação. “As pessoas veem na imagem da realeza uma coisa muito forte. E as pessoas desejam sempre ter alguma coisa de realeza em suas vidas. Os anéis partem na faixa de R$ 5 mil e podem ir acima de R$ 100 mil”, revela o gemólogo.

Para quem não tem esse dinheiro, mas quer ter a sensação de estar usando um anel de princesa, Daniel Sauer dá a dica: “Tem duas formas. Utilizar uma bijuteria, que copia exatamente esses desenhos clássicos. Ou uma pedra sintética, que tem as mesmas características que a natural, só que feita pelo homem”.

Daniel Sauer garante: a mulher que receber um anel desse modelo, mesmo que seja bijuteria, pode se sentir uma princesa. “Ela é uma princesa”, diz.

“Agora nós temos uma nova princesa. Não vai ser fácil para ela. Tudo o que ela vestir, todos os cortes de cabelo que ela fizer, todas as atitudes dela, vão ser olhadas, analisadas, criticadas e mais: comparadas com a Lady Di, que era a bem-amada, a princesa do povo”, finaliza Glorinha Kalil.